terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dependência de Crack.

Atualmente vivemos uma verdadeira epidemia de crack, um derivado da cocaína, com altíssimo poder de causar dependência. Dentre outros inúmeros fatores facilitadores do uso, temos o baixo custo e a facilidade do acesso. Infelizmente não há muito investimento público no auxílio dessas pessoas, mas podemos contar com a ajuda dos CAP'S AD, os centros de atenção psicossocial, para os usuários de álcool e outras drogas, que funcionam como hospital-dia, de segunda a sexta-feira e contam com medicação e uma equipe multiprofissional. Para os casos mais graves e para os indivíduos pouco colaborativos ou com auto-crítica prejudicada em relação à sua situação, há a possibilidade de internação em hospitais psiquiátricos ou estabelecimentos específicos, em sua maioria religiosos. Com a progressão do tratamento, quando bem sucedido, os pacientes seguem em atendimento ambulatorial, até receberem alta.

"Meu médico me encaminhou a um psiquiatra. Isso significa que estou ficando louco?"

 Essa pergunta é muito comum, pois o fato de "ser encaminhado" a um psiquiatra costuma deixar as pessoas assustadas e reticentes. Isso acontece devido à falta de informação sobre o assunto, uma vez que a Psiquiatria não trata somente de pacientes com Esquizofrenia. São condições pertencentes ao campo da Psiquiatria os transtornos ansiosos, depressivos, as fobias (específicas e sociais), o transtorno bipolar do humor, o TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), as somatizações, e muitos outros. O preconceito só atrasa e dificulta o tratamento, reduzindo a qualidade de vida de milhares de pessoas e causando transtornos muitas vezes sérios na família, no trabalho e na vida social como um todo.

Medicação controlada e "tarja preta". O que isso significa?

 A maioria das medicações usadas em Psiquiatria são de emissão controlada, ou seja, necessitam de requisição médica em receituário especial. Isso acontece para que as pessoas não usem essas medicações de forma indiscriminada, e nem pratiquem a automedicação, o que pode causar riscos à saúde. É necessário para cada caso, o uso consciente da substância, com dose e tempo determinados e cuidados com a interação com outras medicações. O uso controlado faz com que a pessoa tenha a necessidade de fazer o acompanhamento junto a um profissional médico, de forma muito segura, otimizando seu tratamento e evitando riscos para sua saúde. A maioria das medicações usadas na prática psiquiátrica, como por exemplo, os antidepressivos, NÃO CAUSA DEPENDÊNCIA, ou seja, não vicia, e uma vez iniciado o tratamento, não significa que vai haver necessidade de usá-la para sempre, como muitas pessoas acreditam. As únicas medicações rotineiramente usadas em psiquiatria, que apresentam potencial de dependência, são os benzodiazepínicos (como por ex. o Rivotril (Clonazepam), que levam uma "tarja preta" na caixa, informando sobre o cuidado que se deve ter em seu uso. No entanto, o uso supervisionado e consciente, acompanhado de perto pelo médico, com tempo e dose seguras e bem determinados, não oferece riscos de dependência e podem ajudar bastante no início de alguns tratamentos.

Tenho sentido tristeza, apatia, insônia, fadiga, "queimação no estômago", vontade de chorar, desespero e angústia. Qual o médico devo procurar?


 Muitas pessoas procuram neurologistas, cardiologistas, gastroenterologistas e outros profissionais de diversas especialidades médicas por achar que somente os casos graves são atendidos pelo psiquiatra. Os transtornos mentais (Depressão, Ansiedade, TOC, Síndrome do Pânico...), mesmo os mais leves, pertencem à área da Psiquiatria e devem ser conduzidos por estes profissionais. No entanto, qualquer médico pode dar início ao tratamento e inclusive, se apto, pode conduzir os casos mais leves e sem complicações. Casos moderados a graves e situações de difícil tratamento (quadros refratários), devem ser encaminhados ao psiquiatra.

Diferença entre Psiquiatra, Psicólogo e Psicanalista.

O psiquiatra é um profissional médico, que após 6 anos de graduação, faz a especialização em Psiquiatria por 2 a 3 anos, a fim de diagnosticar, tratar e conduzir pessoas com transtornos mentais. Dos três, é o único apto a prescrever medicação. O psicólogo, é o profissional que cursa de 4 a 5 anos de ensino superior em Psicologia e estuda o comportamento humano, podendo escolher entre diversas abordagens psicoterápicas (Gestalt-terapia, terapia cognitivo-comportamental, dentre outras) e atuar em áreas de saúde, educação, social, laboral, dentre outras. O psicanalista segue a linha da Psicanálise, método terapêutico criado pelo médico austríaco Sigmund Freud e trabalha principalmente com conteúdos do inconsciente e livre associação, em sessões de psicanálise. O psicanalista não precisa necessariamente ser médico ou psicólogo para atuar, podendo ter formação em qualquer área do ensino superior. Muitos psiquiatras e psicólogos usam esse método, que não se constitui em uma graduação, mas em uma das inúmeras vertentes de abordagem psicoterápica.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Novela e Preconceito


Há algum tempo venho ouvindo comentários sobre uma novela, transmitida por uma emissora importante, que se propôs a tratar de alguns temas médicos. O que mais me chamou a atenção, naturalmente, foi o tema psiquiátrico, que fala sobre questões polêmicas,  como o uso do eletrochoque como punição, tratamento desumano aos pacientes e médicos "terroristas". É uma grande pena que um tema tão delicado seja tratado de forma tão rasa e equivocada! Há algumas décadas, surgiu uma nova tendência da Psiquiatria, que condena todos esses abusos feitos no passado, abusos esses muitas vezes feitos por ignorância e mesmo como forma de castigo. Diariamente travamos uma luta com os pacientes, no sentido de mostrar-lhes que seu maior inimigo não é a medicação e sim o transtorno que o impede de ser livre, de conviver de forma saudável com sua família e seus amigos, e que não tira, como muitos pensam, a sua criatividade. Pelo contrário, estimula o pragmatismo e a tomada de atitude, ajudando a tornarem-se efetivos, reais, todos os seus projetos, que muito provavelmente se perderiam com a deterioração do quadro mental, num cérebro exposto aos efeitos deletérios da patologia. Estamos no século XXI e chegou a hora de dizermos não à ignorância, uma das maiores inimigas da felicidade humana.

domingo, 13 de outubro de 2013

Considerações

Meus caros amigos, colegas, público em geral, interessados em estar em contato com a atual Psiquiatria, é com prazer que iniciamos essa página. Seu objetivo não tem a pretensão de ser a palavra final nos assuntos aqui debatidos, obviamente, mas visa informar, esclarecer, atualizar, expor nosso ponto de vista e principalmente desmistificar todo o preconceito que povoa a mente das pessoas quando esse nome é pronunciado. Em muitos casos, vem logo à mente a ideia de pessoas andando nuas em pátios sujos, envoltas por seus próprios dejetos e vivendo como animais, condenados para sempre. Esses episódios lastimáveis infelizmente foram muito comuns no passado e
contribuíram para movimentos como a anti-psiquiatria e outros menos radicais, que, reconhecendo a importância do tratamento psiquiátrico, até hoje lutam para que haja uma humanização cada vez maior, com inserção social, superação do preconceito, respeito à dignidade humana e a verdadeira conquista da liberdade. Desejo a todos uma boa leitura e que possamos engrandecer nossos conhecimentos com os temas abordados aqui. Abraço!

Apresentação

Esta página se propõe a divulgar assuntos relativos à Psiquiatria atual, na tentativa de derrubar mitos e torná-la cada vez mais acessível à população em geral.
Durante muito tempo, foi sendo impresso no imaginário popular a ideia da Psiquiatria como uma ciência castradora, opressora e até mesmo desumana, devido a muitos abusos praticados no passado. A questão, na verdade, não diz respeito à especialidade em si, mas à forma como foi se desenhando o seu perfil ao longo da história. No entanto, acompanhando a evolução mundial, muita coisa mudou e a Psiquiatria hoje consegue cumprir seu verdadeiro papel na humanidade, que é ajudar a promover dignidade, liberdade e felicidade aos pacientes e consequentemente qualidade de vida a ele e a todas as pessoas que o amam e que fazem parte de seu convívio.